Poucas vezes o cinema comercial recente teve a audácia de Coralie Fargeat em A Substância. Premiado em Cannes pelo melhor roteiro, o longa não pede licença; ele estripa a obsessão da sociedade patriarcal pelo envelhecimento feminino com um bisturi ensanguentado e doses cavalares de humor negro.
A Monstruosidade da Autoaversão
Demi Moore interpreta Elisabeth Sparkle, uma estrela de televisão descartada no dia em que completa 50 anos pelo repugnante executivo vivido por Dennis Quaid. Ao recorrer a um tratamento clandestino que gera uma versão mais jovem de si mesma (Sue, interpretada por Margaret Qualley), ela assina um pacto faustiano cuja regra de equilíbrio é sistematicamente violada.
A direção abusa de planos macro nauseantes, sonoplastia amplificada e efeitos práticos que remetem ao auge de David Cronenberg e John Carpenter, culminando em um terceiro ato épico e delirante que já entrou para a história do gênero.